USP firma acordo para criar espaço de inovação na área de construção digital

USP firma acordo para criar espaço de inovação na área de construção digital

Universidade de São Paulo (USP), por meio da Escola Politécnica (Poli), a Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP) e o Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC) assinaram um acordo de cooperação técnica que prevê a concepção, elaboração de projeto, construção e operação, em regime multiusuários, do primeiro espaço cooperativo de inovação e construção digital de base industrial do Brasil, o hubic.

Com previsão de funcionamento no início de 2021, o hub terá o objetivo de acelerar a transição da construção civil para uma economia digital e circular, por meio de soluções inovadoras, competitivas, com baixa pegada ambiental e de alta produtividade e qualidade.

Participaram da cerimônia virtual o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI), Marcos Pontes; a secretária Estadual de Desenvolvimento Econômico, Patrícia Ellen da Silva; o reitor da USP, Vahan Agopyan; a diretora da Poli, Liedi Legi Bariani Bernucci; o secretário de Empreendedorismo e Inovação do MCTI, Paulo César Rezende de Carvalho Alvim; o presidente da ABCP, Paulo Camillo Pena;  além de outros dirigentes da Universidade e executivos da ABCP e do SNIC.

Inovação

O projeto será conectado ao Centro de Inovação em Construção Sustentável (CICS USP), um ecossistema de empresas e academia dedicado a promover a inovação, a sustentabilidade e a produtividade na construção civil. Para a implementação, o hubic já tem assegurado R$ 8 milhões em investimentos e será instalado em espaço compartilhado entre a USP e a ABCP, interligado ao campus da universidade, em São Paulo.

“Esta parceria é um exemplo significativo da chamada Terceira Missão da universidade ao integrar e unir, no campo da pesquisa aplicada, os esforços da academia e da iniciativa privada em prol da melhoria e da modernização da área de construção e materiais cimentícios, com vistas, principalmente, à produtividade e à redução de impacto ambiental”, destaca ao Jornal da USP o reitor da universidade, Vahan Agopyan.

“Vivemos um tempo de múltiplos desafios, nos âmbitos ambiental, concorrencial e institucional. A indústria de cimento tem se mostrado capaz de enfrentar esse mundo complexo, tanto dentro de suas fábricas, quanto nas diversas aplicações do cimento. O acordo com a USP está inserido nessa lógica. Se, por um lado, o convênio resgata uma história construída ao longo de décadas, por outro, ele projeta o elemento inovação como variável de importância crescente para que nossa indústria continue gerando valor e qualidade de vida para toda a sociedade”, afirma o presidente da ABCP/SNIC, Paulo Camillo Penna, ao Jornal da USP.

Ainda segundo o executivo, a digitalização atingirá a construção civil, incluindo a cadeia de materiais cimentícios, gerando ganhos significativos de produtividade e redução de impacto ambiental.

Para absorver esse processo evolutivo, a USP e a ABCP reúnem expertises e ações que, somadas, cuidarão de alavancar a produção digital de componentes e a transferência de conhecimento e tecnologia para toda a cadeia produtiva da construção e sociedade.

“O hubic é uma iniciativa que traz a tecnologia da indústria 4.0 para os componentes da construção civil e de infraestrutura, fruto da união da academia, da indústria e dos órgãos públicos e privados, trazendo a tecnologia de ponta para a melhor eficiência das obras, otimização dos materiais, economia e sustentabilidade, beneficiando a indústria e a sociedade”, destaca a diretora da Poli, Liedi Legi Bariani Bernucci, ao Jornal da USP.

Acordo

O convênio prevê a criação de uma plataforma de construção digital para a produção de componentes e edificações, com infraestrutura laboratorial multiuso e capacidade de produção/impressão digital 3D de componentes cimentícios na escala 1:1. Apesar de ter como objetivo principal a pesquisa e produção de elementos cimentícios, o equipamento também será flexível para a produção de materiais com outras bases.

O projeto será implementado no atual laboratório da ABCP, em área de 100 metros quadrados aproximadamente, que receberá reformas. O acordo também define a instalação de um espaço de trabalho compartilhado (coworking), com cerca de 230 metros quadrados e capacidade de hospedar até 30 profissionais, para a elaboração de pesquisa e desenvolvimento de empresas da cadeia de valor e grupos que desenvolvam soluções consideradas promissoras, além de startups da construção e de engenharia.

“O hubic faz parte de um ecossistema da universidade que tem três eixos de atuação integrando todos os elos da cadeia da construção civil: inovação, produtividade e sustentabilidade. Deverá reunir pesquisadores de várias áreas do conhecimento, empresas, startups e outros parceiros da sociedade que tenham interesse em desenvolver a inovação de base industrial”, pontua ao Jornal da USP o coordenador do projeto e professor da Poli, Vanderley John.

Também está prevista a criação da Cátedra Ary Torres, para atrair profissionais de ponta do mundo para coordenar plano de atividades, educação, pesquisas e inovação, além promover atividades de transferência de conhecimento e tecnologia.

Indústria 4.0

O convênio investirá no desenvolvimento de atividades de educação continuada (EaD) online voltadas para inovação e Indústria 4.0, entre outras. O foco principal será na capacitação para desenvolvimento, uso de produtos e soluções inovadoras, sustentabilidade, qualidade e produtividade. Também deverão ser oferecidas bolsas de mestrado e doutorado a pesquisadores.

“Temos um histórico aqui na ABCP de construção de plataformas colaborativas que desenvolvem soluções competitivas para diversas aplicações de cimento. A qualidade dessas aplicações tem dado ao cimento uma grande relevância na cadeia da construção. O convênio com a USP representa um salto qualitativo nesse processo”, afirma ao Jornal da USP o diretor de mercado da ABCP, Valter Frigieri.

“Escolhemos o nome hubic porque queríamos enfatizar que nosso objetivo é ser um hub de inovação. Nosso objetivo é desenvolver projetos de base tecnológica capazes de desenhar o futuro da construção”, completa Frigieri.

Fonte: saopaulo.sp.gov.br